Minha experiência com alunos com necessidades especiais estou tendo neste ano, pois tenho uma turma de quarta série com um menino autista.
A mãe relatou que o filho era hiperativo e com alguns graus de autismo. Ela explicou que quando o aluno entrou na escola era muito agressivo com os colegas e a aprofessora. No primeiro mês de aula foi feita uma reunião com os pais dos alunos da turma e todos exigiam a saída de seu filho da escola. Como o aluno tem direito a frequentar a escola reguralar o menino permaneceu. Ela ainda relata que a professora que atendia seu filho era muito atenciosa, buscava recursos e informações de como trabalhar com ele. Ela ainda colocou que o menino sempre aprende tudo que lhe é nesinado e que teve avanços em sua convivência com os colegas.
Como nunca havia tido alunos com necessidades especiais, minhas primeira perguntas foram se ele era agressivo e se aprendia.
Estou atendendo o menino (que chamarei de Marcio) desde o início das aulas.
No começo ele quase não falava comigo, algumas vezes se balançava, para frente e para trás, mexendo a cabeça, e torcendo as mãos.
A turma, que o acompanha desde a primeira série, já conhece seu jeito e o tratam com muito respeito.
No primeiro dia de aula ele escolheu um lugar bem na frente, puxou a classe e a cadeira isolando-se do resto da turma. Não tolera que alguém encoste-se nele, muito menos em sua mochila.
Com o passar dos dias percebi que Marcio adquiriu uma confiança em mim enquanto sua professora. Começou a perguntar as horas, e assim seguiu, durante vários dias de dez em dez minutos ele me perguntava quanto tempo faltava para ir embora. Percebi que o aluno exigia atenção total e usava a pergunta das horas para ter a minha atenção a todo o momento. Então expliquei-lhe que não era necessário perguntar várias vezes a hora da saída, pois, tocaria o sinal. Ele entendeu naquele dia, mas nos seguintes continuou com a pergunta sobre o horário da saída.
Seu de senvolvimento cognitivo me parece normal, vai construindo seus conceito e me pergunta se não compreende algum conteúdo. Apresenta uma necessidade de realizar as atividades rapidamente, devido a isto é muito objetivo na produção textoal, escrevendo- a com poucas frases.
Na fila faz questão de ser o último para que nínguem encoste nele.
No recreio corre muito. Passa o tempo todo correndo atrás das outras crianças.
Ainda não tenho nenhuma certeza sobre a doença do Marcio, me parece que a mãe o protege demais, mas também percebo-o diferente dos demais alunos. Estou conversando com as colegas que o atenderam nas séries anteriores para ter mais informações sobre como trabalhar com ele. Me preocupo com a questão da socialização e interação com a turma que é o está mais agravante no momento.
Vou relatar um fato que ocorreu hoje- 22/04-em minha turma de quarta série envolvendo meu aluno com necessidades especiais, que chamo de Marcio.
Iniciei minha aula trabalhando com as quatro operações matemáticas e a prova real das mesmas. Para fixar a tabuada, trouxe um cd com músicas infantis sobre as tabuadas. Coloquei o cd e todos os alunos gostaram e iam tentando aprender a canção. Coloquei três vezes a mesma música que era da tabuada do sete. Alguns alunos me pediram para deixar a música tocando enquanto eles realizavam a atividae, que eram os cálculos com a prova real. A música era bem agitada. Quando observei o Marcio ele estava nervoso, mexendo muito com as mãos, as vezes tapava os ouvidos. Percebi que ele estava muito nervoso. Perguntei o que estava sentindo. No primeiro momento, não pensei ser por causa da música. Ele não respondia, permanecia sentado, mas sempre se mexendo, seus olhos pareciam vermelhos como se estivesse chorando mas não tinha lágrimas. Cheguei a conclusão que o problema só poderia ser a música. Então desliguei o aprelho de cd e conversei com Marcio. Perguntei o que estava sentindo, se não havia gostado da música, e se queria que eu chamasse sua mãe. Ele não respondeu nenhuma das minhas perguntas. Resolvi não chamar sua mãe, pois aos poucos, depois que desliguei o cd, ele foi se acalmou e segui realizando a atividade.
No caso do Marcio o que me chama a atenção é a ciencia que ele tem sobre todos os acontecimentos que ocorrem ao seu respeito. Na música tinha uma parte que dizia: " com a música era mais fácil aprender". No momento que ele irritou-se com a música ele repetia "com a música é difícil de aprender". No final da aula conversei com todos os alunos e avaliei com eles que, o que o Marcio sentiu, muitos ali também sentiram, uma dificuldade de concentração para realizar a atividade que envolvia cálculos. Também avaliei que me equivoquei ao colocar um música agitada em uma atividade de cálculos que exige concentração e racíocinio.
Comments (2)
Simone Ramminger said
at 9:40 pm on Apr 22, 2009
Olá Andréia!
"O dossiê de inclusão visa contribuir para a busca de sentido na produção de conhecimentos no transcorrer de nossos estudos. Este documento busca a completude de suas descobertas em que o respeito às singularidades será respeitado na medida em que cada aluno(a) será encorajado à reflexão e a sistematização de suas experiências num formato original capaz de apontar para as conquistas individuais."
Parabéns! Criaste o pbwiki para o Dossiê, me enviaste o e-mail com o endereço, me deste acesso a ele e fizeste o relato. Observei que procuraste preservar a identidade do menino. Isso é muito importante. Que lição podes tirar deste fato que aconteceu na aula de hoje (22/04)? Disseste que estás procurando informações com outros professores sobre esse aluno "diferente" dos demais. Já leste algo sobre o assunto? Na unidade 5 vamos estudar um pouco sobre o autismo, vai ser importante para ti conheceres mais sobre a patologia. Na unidade 3, tem um texto bem interessante da profa Mauren sobre a Sala de integração e recursos que tem se caracterizado como um espaço escolar paralelo e complementar no atendimento aos alunos com necessidades educativas especiais, entre eles aqueles diagnosticados como autistas e psicóticos.
Nas próximas postagens, procura fazer relações com os textos que vocês estão lendo para a interdisciplina. Aproveita também para ler os depoimentos dos teus colegas e deixar comentários. Abraço, Simone Ramminger - Tutora sede EPNE
maurentezzari@... said
at 11:39 am on May 27, 2009
Andréia, gostaria de destacar no teu relato dois aspectos que considero fundamentais no nosso trabalho como professores: a observação atenta dos alunos e a reflexão sobre o fazer pedagógico, que nos fornecem indicações valiosos sobre os rumos da nossa prática. Abraços, Mauren
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